Olhando para o Bolinha, deitado ali no caixão, fico imaginando a razão do diminutivo de seu nome. O delegado se aproxima. Lamenta a perda do companheiro de garfo. Enfia a mão no bolso e me mostra um papel manchado de sangue, onde se lê nitidamente “O corpo é um jardim e a força de vontade o seu jardineiro”. Olho para o delegado com a testa franzida.
- Estava no bolso da camisa.
Essa é uma frase tipicamente não-Bolinha. Alguém deve ter dado a ele. Deve ter guardado por delicadeza. Pergunto se tem algum suspeito.
- Pelo que apurei até agora, foi executado por uma organização internacional.
- Internacional? Mas o Bolinha estava metido com drogas? Que organização é essa?
O delegado olhou para o chão, apertou os lábios gravemente, levantou a cabeça e, com a responsabilidade de quem detém uma informação confidencial respondeu
- Temos provas suficientes para dizer que tudo foi obra de uma organização internacional. Só não sei dizer o nome dela.
Enfiou a mão no bolso, retirou um papel timbrado, levantou na altura dos olhos de modo que eu pudesse ler e li: Weight Watchers
Olhei para o delegado e disse –Precisamos conversar
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