O corpo como um peso

Você já pensou em seu corpo como um peso para você? Ou esse pensamento é a mera expressão de uma profunda preguiça de ter força de vontade?
Será que o seu corpo pensa em fazer uma dieta para te emagrecer?
Entrementes, entre uma garfada e outra...

domingo, 23 de janeiro de 2011

O gordo Bolinha foi morto, violentamente morto

Vamos entrar numa aventura

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

O seu corpo é um jardim. Sua força de vontade o jardineiro

Olhando para o Bolinha, deitado ali no caixão, fico imaginando a razão do diminutivo de seu nome. O delegado se aproxima. Lamenta a perda do companheiro de garfo. Enfia a mão no bolso e me mostra um papel manchado de sangue, onde se lê nitidamente “O corpo é um jardim e a força de vontade o seu jardineiro”. Olho para o delegado com a testa franzida.
- Estava no bolso da camisa.
 Essa é uma frase tipicamente não-Bolinha. Alguém deve ter dado a ele. Deve ter guardado por delicadeza. Pergunto se tem algum suspeito.
- Pelo que apurei até agora, foi executado por uma organização internacional.
- Internacional? Mas o Bolinha estava metido com drogas? Que organização é essa?
O delegado olhou para o chão, apertou os lábios gravemente, levantou a cabeça e, com a responsabilidade de quem detém uma informação confidencial respondeu
- Temos provas suficientes para dizer que tudo foi obra de uma organização internacional. Só não sei dizer o nome dela.
Enfiou a mão no bolso, retirou um papel timbrado, levantou na altura dos olhos de modo que eu pudesse ler e li: Weight Watchers 
Olhei para o delegado e disse –Precisamos conversar

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Bolinha 1

Sem dúvida que eu jamais serei escolhido para segurar a alça do caixão do Bolinha. Não que eu seja um fraco de pernas ou braços, mas é o coração ou a covardia. Gostava do Bolinha. Era bem mais gordo que eu. Acho que essa característica lhe dava, do seu ponto de vista, um certo ar de superioridade e do meu, de inferioridade. Claro, eu vivia fazendo dieta e ele não. Quando eu emagrecia, me sentia por cima e ele mais por cima ainda. Como ele andava com as costas ligeiramente curvadas para trás, por causa da barriga, parecia ser arrogante. Compensava com um sorriso constante, que mais parecia uma máscara sincera.
Vivia cercado de gordos. Gordos alegres, comilões, sacanas, prontos a abdicar da vida por uma boa feijoada.
O seu corpo seguramente não está impregnado das coisas não ditas ou dos amores reprimidos. Nesse quesito, o caixão parecerá leve.
Mas acho que esse não-peso será compensado pelos resíduos das vinte balas calibre 38 que atiraram nele.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Prá começar

O desafio para emagrecer é tanto e, na maioria das vezes, tão inútil quanto diversificado. Que eu saiba o Bolinha nunca tentou dieta alguma. O delegado estava indo para um caminho errado. Ou perigoso. Com os Vigilantes do Peso não se brinca.